“Não é não”: a cobertura noticiosa da SlutWalk em Portugal

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DOI:

https://doi.org/10.15847/obsOBS19220252566

Abstract

O movimento SlutWalk (conhecido em Portugal como Marcha das Galdérias) surgiu em 2011, no Canadá, como protesto contra a culpabilização das vítimas de assédio e agressão sexual, perpetuada pela cultura patriarcal, reafirmando o direito das mulheres à autodeterminação sobre os seus corpos e a asserção de que a sexualidade é política (Cruz & Cerqueira, 2017). O que começou como uma marcha local rapidamente se transformou num movimento transnacional com particularidades nacionais, expandindo-se por cerca de 50 países ao longo dos anos (Chidgey, 2021). Atendendo ao seu impacto global e alcance transnacional, este estudo pretende compreender como foi feita a cobertura jornalística do movimento SlutWalk em Portugal, que expressão teve e que agendas foram abordadas, bem como as especificidades locais do movimento veiculadas através dos meios de comunicação tradicionais. Com base numa análise temática (Braun & Clarke, 2006) de 43 peças jornalísticas publicadas entre junho de 2011 e setembro de 2021, recolhidas em seis jornais nacionais e uma revista com maior circulação digital paga em Portugal, três temas principais foram identificados: “Cultura de violação”; “(In)justiça judicial”; e “O feminismo é para toda a gente?”. Os resultados denotam uma cobertura jornalística da SlutWalk em Portugal inconsistente e limitada, que não aproveita as agendas do movimento para as explorar devidamente. Por outro lado, revelam ainda resistências em relação à SlutWalk (e roupa ousada de participantes da marcha) e aos feminismos em Portugal, demonstrando que estes podem ainda não ser aceites por “toda a gente”.

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Published

2025-06-30

How to Cite

Cerqueira, C., Taborda, C., Pereira, A. S., & Rua, I. (2025). “Não é não”: a cobertura noticiosa da SlutWalk em Portugal . Observatorio (OBS*), 19(2). https://doi.org/10.15847/obsOBS19220252566

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