O niilismo de Cláudia Tomaz como prenúncio de um cinema português centrado no miserabilismo humano

Ana Catarina Pereira

Abstract


Cláudia Tomaz é uma das representantes de uma nova geração de realizadores portugueses que começa a filmar nos últimos anos do século XX. Após ter terminado a licenciatura em Ciências da Comunicação, pela Universidade Nova de Lisboa, teve oportunidade de trabalhar com algumas das maiores referências cinematográficas nacionais, como Paulo Rocha, Pedro Costa e José Álvaro Morais. Realizou várias curtas-metragens financiadas pela Fundação Calouste Gulbenkian, documentários experimentais de produção independente e duas longas-metragens - Noites (prémio de melhor filme na semana da crítica no Festival de Veneza, em 2000) e Nós (prémio Bocallino no Locarno Film Festival, em 2003, na Suíça). Reside actualmente em Londres e não considera, de todo, a hipótese de voltar a Portugal.
O presente artigo é uma proposta de análise fílmica centrada na primeira longa-metragem de Cláudia Tomaz. A metodologia utilizada não será, no entanto, a mais tradicional, no sentido da identificação da Escola a que a realizadora pertence, no estudo detalhado dos planos e técnicas utilizados ou numa análise cuidada da imagem e do som. Em vez disso, propomos uma reflexão teórica sobre os principais objectivos, valores e ideias que o filme reúne em si, sem deixar de elaborar um juízo crítico relativamente ao filme e à evolução que o percurso cinematográfico da realizadora conheceu nos últimos anos. Destacando aqueles que consideramos serem os principais traços de um estilo e identidade da realizadora, reflectimos ainda sobre a presença das mesmas características numa cinematografia nacional dominante.

Keywords


niilismo, eterno retorno, passividade feminina, cinema português

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DOI: https://doi.org/10.15847/obsOBS642012617