Mal de Arquivo: Uma Aproximação ao Arquivo Anti-Colonial Moçambicano a Partir da Obra de Ruy Guerra

Raquel Schefer

Abstract


Este artigo debruça-se sobre a história material de três filmes realizados por Ruy Guerra em Moçambique – Mueda, Memória e Massacre (1979-80), Os Comprometidos. Actas de um Processo de Descolonização (1982-84) e o registo, sem título, nem catalogação, de uma reunião entre Samora Machel e antigos chefes militares da Guerra de Libertação (1964-74), registada a pedido do primeiro entre 1984-86, para propor uma reflexão crítica sobre os arquivos anti-coloniais moçambicanos e examinar a política de representação e os mecanismos de representação política da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique). Num primeiro momento, o artigo aborda a figura da censura na obra de Guerra para reconstituir, em seguida, a história material dos três filmes. Marcada por complexos processos de invisibilização, a história material destes fil-mes imbrica-se na história do cinema moçambicano e nas suas principais problemáticas, tal como a questão do tropicalismo tecnológico. O objectivo é definir as especificidades do arquivo anti-colonial, situando-o fa-ce ao arquivo colonial. Para tal, o texto examina os processos de circulação e migração, a par de procedi-mentos “anarquivísticos” intermediáticos, como mecanismos de re-visibilização e de restituição da lógica emancipatória do arquivo anti-colonial.

Keywords


cinema revolucionário moçambicano; arquivo anti-colonial; Ruy Guerra; “Mueda, Memória e Massacre”; “Os Comprometidos. Actas de um Processo de Descolonização”; re-visibilização

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DOI: https://doi.org/10.15847/obsOBS0001816

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