Esfera pública, Tecnologia e Reconfiguração da Identidade Individual

Filomena Serrazina

Abstract


O objectivo deste trabalho é reflectir sobre a relação entre tecnologias de informação e comunicação, esfera pública e esfera privada, questionando se a hipertrofia do indivíduo que decorre da modernidade está ou não directamente relacionada com a “queda do homem público”. Partindo da constatação de que o actual sistema político democrático sofre de um deficit de participação, as tecnologias de informação e comunicação são identificadas como o primeiro requisito necessário à participação, embora reconhecendo os factores de exclusão associados a essas mesmas tecnologias. A literacia digital é identificada como o segundo requisito, representando a passagem da esfera do “poder participar” para a esfera do “saber participar”. A partir destas duas vertentes, verifica-se a emergência de um outro problema ligado à participação, a saber, a ausência de vontade individual para essa mesma participação. Para contrariar a tendência de afastamento dos indivíduos face ao bem comum, é enfatizado o papel da comunicação, da linguagem e, por inerência, dos próprios media, bem como o surgimento de outras dinâmicas de participação relacionadas com ambientes informais, que deve ser valorizado e estimulado. Considerando que a participação cívica extravasa as dimensões tecnológica e educacional, conclui-se pela necessidade de adoptar políticas concertadas de envolvimento, construção de identidades, integração e responsabilização dos indivíduos
que permitam fazer corresponder à reconfiguração dos indivíduos na sociedade, uma reconfiguração da própria esfera pública e por inerência, promovam uma maior participação democrática.

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