Mise en abîme: imagens desveladas em mapas e mascaradas no cinema colonial

Maria do Carmo Piçarra

Abstract


Neste ensaio apoio-me na análise intermedial de filmes coloniais portugueses para reflectir sobre como o uso de mapas no cinema serviu ideologicamente a propaganda ao colonialismo português e como esse uso perdurou nos cinemas de libertação e pós-independências mas também como as mascaradas indígenas, fixadas e projectadas pelo seu exotismo ou como sintomas da menoridade cultural dos povos não ocidentais, paradoxalmente foram modos de resistência cultural enquanto serviram também o desejo de empoderamento, simbólico, dos seus actores.
Começo por reflectir sobre como a análise intermedial pode contribuir para revalorizar o conhecimento sobre culturas não ocidentais e ultrapassar o pensamento abissal, que se mantém dominante. Problematizo a exploração cinematográfica do exotismo em mascaradas propondo algumas questões sobre a representação do homem branco nas “dramatizações” indígenas. Através da análise de algumas sequências de filmes coloniais evidencio a mise en âbime criada, involuntariamente, pela projecção que o colonizador branco fez das mascaradas: ao usar a tecnologia – também cinematográfica – para afirmar o poder de contar a história e mostrar o suposto primitivismo das culturas colonizadas, projectou também a sua imagem satirizada e desempoderada quando encarnada pelos supostos primitivos. Adicionalmente, questiono como se processou e ainda processa o uso de mapas nos filmes (pós)coloniais.

Keywords


Intermedialidade; Cinema colonial; Mapas; Mascaradas; Propaganda

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DOI: https://doi.org/10.15847/obsOBS0001819

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