A publicitação do privado na era da pós-verdade: uma exploração às redes sociais dos líderes políticos portugueses

Antónia do Carmo Barriga

Abstract


Em tempos de busca de popularidade, e num contexto de luta de audiências e de disputa eleitoral inextricável da espetacularização da informação, os media e os políticos alimentam uma ideia (porventura ilusória) de humanização e de proximidade com os cidadãos, recorrendo para tal à exposição (mediática) do quotidiano e da privacidade dos atores políticos. Sabemos que não é de hoje que as liturgias políticas democráticas envolvem a dimensão do entretenimento, ele precede mesmo o surgimento dos meios audiovisuais. Este texto interroga se a utilização das redes sociais pelos políticos altera ou mantém tais práticas. No âmbito da pesquisa aqui reportada pretendeu-se perceber qual a visibilidade que os líderes políticos portugueses dão à exposição de mensagens que evadem o discurso público e o debate político, partindo da análise da sua presença nas redes sociais. A análise efetuada tenta explorar se a postura dos políticos nos novos media, menos sujeita à coação dos media tradicionais e dos seus critérios, difere daquela que é habitualmente exibida nos media tradicionais, no que respeita à exposição de aspetos da sua vida privada. Foi neste sentido que se analisou o corpus empiricus constituído pela totalidade das publicações dos líderes dos partidos políticos portugueses, com assento parlamentar, à data, nas redes sociais Twitter, Facebook e Instagram, publicadas durante os três meses anteriores às eleições legislativas de 6 de outubro de 2019. Esta pesquisa foi também e ainda o mote, ou o pretexto, para uma abordagem mais ampla à privacidade na contemporaneidade e ao (s) modo (s) como ela hoje se entrelaça e intrinca com os novos media e com os sistemas automáticos.

Keywords


privacidade, media, políticos, redes sociais

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DOI: https://doi.org/10.15847/obsOBS14220201609

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