Remix e cultura participativa

Pedro Pereira Neto, Cláudia Lamy

Abstract


A utilização da linguagem num discurso constitui um espaço de negociação de significado e de interreconhecimento, ancorando a comunicação na convocação de conhecimento apropriado, experimentado e articulado em função das circunstâncias de uma situação social, de acordo com o reconhecimento de património simbólico partilhado (Goffman, 1947). Uma crítica à utilização de discursos audiovisuais cidadã(o)s para afirmar a narrativa da mudança em processos comunicacionais baseada no papel atribuído às TIC exige questionar as bases de uma 'nova' cultura Remix , ou seja, as 'novas' formas de (re)criação, consumo e interacção comunicativa, o conceito de convergência, e os processos de inteligência coletiva participativa enquanto espaço de práticas discursivas e performativas com ênfase deterministia nos instrumentos utilizados, reafirmando o primado dos processos de interreconhecimento que as tornam possíveis.
É objectivo deste trabalho oferecer um conjunto de reflexões teóricas sobre a necessária ancoragem social pré-ressignificadora, procedendo a uma actualização da temática do (re)enquadramento discursivo mediante a convocação de heranças teórico-paradigmáticas e de dois exemplos onde tal ancoragem é demonstrada a partir da aplicação de estratégias metodológicas que incluem a análise fílmica e o método das máscaras. A análise destes exemplos permitiu concluir do carácter decisivo da revalorização do contexto, do perfil de actores e actrizes sociais envolvidas/os, e do processo de recepção e (re)interpretação para a ressignificação.

Keywords


remix, cultura participativa, autonomia, frame, significação

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DOI: https://doi.org/10.15847/obsOBS13320191304

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